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Reaprendendo a ser mãe

Três moradoras de Guarapari contam os desafios e aprendizados da maternidade de crianças autistas

por Revista Sou

Publicado em 12 de maio de 2022 às 11:00
Atualizado em 12 de maio de 2022 às 11:01
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reportagem: Sara de Oliveira

Sandra, Adriana e Edilma. Três moradoras de Guarapari que, além de viverem na mesma cidade, compartilham uma história parecida: a maternidade de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). As mães falam sobre medos, desafios e aprendizados vividos ao longo dessa trajetória que, por vezes, começa antes mesmo do diagnóstico.

Para a podóloga Sandra Pothier, o impacto veio quando o filho, Rafael (9), tinha dois anos de idade, e a mãe percebeu o atraso na fala, a falta de atendimento aos comandos e a dificuldade para fixação do olhar. “Eu não sabia o que poderia fazer a partir dali para que meu filho pudesse levar uma vida normal (…) Eu me senti impotente, sem rumo, sem saber o que fazer ou a quem recorrer”, conta.

O filho mais velho da Sandra, Sandra e Rafael

A advogada Adriana de Barros também passou por esse impacto. Mãe do Gustavo (9) e do Nicolas (8), os dois com autismo, ela lembra que o diagnóstico do filho mais velho só veio aos dois anos e seis meses. “Ali, com o laudo em mãos, eu confesso que foi um choque, veio o luto tão falado por aí. Eu cheguei ao fundo do poço, porque precisava enterrar uma maternidade e um filho típico para o nascimento de um filho atípico e isso dói muito”, relata a mãe, que descobriu o autismo do filho mais novo com um ano e meio.

Nicolas, Adriana e Gustavo

Para Edilma dos Santos, que mora em Condados, descobrir que tinha dois filhos autistas também foi o início de um processo de aprendizado, uma tentativa constante de vencer o medo. Mãe da Thalita (18) e do Arthur (16), ela revela que um dos principais desafios foi a falta de acesso a medicações, ao transporte e a consultas com os especialistas. “Eu não sabia ser mãe de filho autista. Apostei fortemente na fé e no amor para que eu conseguisse assimilar todas aquelas informações”, afirma.

Thalita, Edilma e Arthur

Adriana relata que esse processo de lidar com o diagnóstico dos filhos é diferente para cada mãe. Nesse percurso, algumas podem entrar em um quadro de depressão ou um estado de negação da condição da criança. “Eu fui saindo do luto para a luta. Eu estudava o tema autismo o tempo todo, queria toda informação que eu pudesse encontrar”, ressalta.

Tratamento precoce aumenta chances de progresso

A neurologista infantil Larissa Freire Krohling explica que o autismo geralmente é identificado entre os 12 e 24 meses de idade do paciente. Quando o grau é leve o diagnóstico tende a ser mais tardio. A médica esclarece que, com o tratamento adequado, uma criança com um grau de autismo severo, por exemplo, pode passar para o moderado. “A gente sabe que quanto mais precoce o diagnóstico, melhor a resposta nesse cérebro em desenvolvimento porque são mais conexões, mais sinapses, com a possibilidade de ter a remodelação de novos circuitos cerebrais”, aponta.

Para muitas famílias, no entanto, esse tratamento é travado por dificuldades financeiras. A advogada Adriana destaca a falta de políticas públicas que garantam o acesso a um tratamento adequado para autistas de baixa renda. “Só tem acesso às terapias uma pequena fatia da sociedade, os chamados privilegiados”, declara.

Dra. Larissa Freire Krohling – neuropediatra CRM 6550 / RQE 5368

Apesar dos desafios e da caminhada marcada, inicialmente, pelo medo, as três mães carregam mais uma característica em comum: acreditar fielmente no futuro dos filhos. Um exemplo é a Thalita, filha da Edilma, que se realiza nos desenhos e nos quadros que produz. “Sempre identifiquei esse potencial da Thalita e nunca desisti de transformá-la em uma artista plástica, independentemente das minhas condições financeiras. Eu olhava para ela com um olhar diferenciado”, disse a mãe.

Olhar que também fica evidente em histórias como a da Sandra que, como ela mesma diz, “busco severamente um mundo de inclusão real”, ou na forma que Adriana fala dos dois filhos. “Ambos estão caminhando para o que quiserem ser, caminhando para a vida, pois o nível e o autismo não os definem, eles são mais que isso. São meninos lindos, alegres, simpáticos, brincalhões, bagunceiros, espertos e às vezes atrapalhados. São fortes, guerreiros, podem abraçar, beijar, e fazer a gente se sentir amada por eles”, conclui.

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