Arte & Cultura
Filme com imagens raras de Guarapari é selecionado em festival internacional de cinema
31 de maio de 2025

Um pedaço da história de Guarapari vai atravessar fronteiras em junho. O curta-metragem “Guarapari Revisitada”, dirigido pela cineasta capixaba Adriana Jacobsen, foi selecionado para integrar a mostra competitiva do 4º Festival Audiovisual Latino-Americano de São Francisco do Sul (FALA São Chico 2025), que acontece de 25 a 28 de junho, em Santa Catarina.
Com imagens raras do balneário capixaba nos anos 1960, o filme traz um olhar afetivo e documental sobre a cidade antes das transformações urbanas. As cenas são registros do engenheiro e cineasta amador Ernst Bergmann, falecido em 2015, aos 94 anos, que gravou os vídeos com câmeras 8mm e Super 8 ao lado da esposa, a escritora Marilena Vellozo Soneghet Bergmann, que narra o curta.


A produção resgata paisagens, ruas e tradições de Guarapari em um tempo em que a cidade ainda era bucólica e pouco conhecida fora do Espírito Santo. As filmagens mostram o calçadão e a Praia das Castanheiras, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, o Centro e até cenas de antigos carnavais. O material, guardado por décadas, foi digitalizado e restaurado pelo Instituto Marlin Azul com apoio da Lei Paulo Gustavo, através do Edital de Preservação e Memória da Secult-ES.
Além de Guarapari, o festival contará com filmes de 13 estados brasileiros, do Distrito Federal e de países como Argentina, Colômbia, Cuba, Uruguai e Estados Unidos. Organizado pela Associação Cultural Panvision, o FALA São Chico busca dar visibilidade ao cinema latino-americano independente e a novas formas de narrar realidades e territórios.
“Guarapari Revisitada” também foi contemplado pelo Edital 008/2023 da Prefeitura de Guarapari, por meio da Secretaria Municipal de Turismo, Empreendedorismo e Cultura (Setec), com recursos da Lei Paulo Gustavo. A realização é assinada por Adriana Jacobsen/Monazita Produções e Instituto Marlin Azul.
O olhar de Bergmann
O alemão Ernst Alexander Rudolf Bergmann chegou ao Espírito Santo em 1960 para atuar na implantação do polo siderúrgico capixaba. Casou-se com Marilena dois anos depois, com quem compartilhou uma vida e a paixão por registrar o cotidiano com olhar sensível e técnico. As gravações realizadas por Bergmann resultaram em um acervo raro, que além de Guarapari, inclui registros de várias partes do mundo.
Sobre a diretora
Adriana Jacobsen é diretora e pesquisadora, licenciada em Letras pela Ufes, graduada e mestre em Ciência da Comunicação pela Universidade Livre de Berlim (Alemanha). Atua na realização audiovisual e preservação da memória, na preservação e organização de acervos e histórias.
*Com informações da Assessoria de Comunicação do Instituto Marlin Azul.