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Conheça o bombeiro que investiu na produção de facas após aposentadoria

Profissional encontrou na nova atividade uma válvula de escape

por Pedro Henrique Oliveira

Publicado em 20 de outubro de 2023 às 15:09 / Atualizado em 20 de outubro de 2023 às 16:35
Fotos: HM Comunicação

Um desafio feito pelo irmão levou o coronel aposentado do Corpo de Bombeiros Bruno Tadeu Rigo, de Guarapari, a encontrar um passatempo que se tornou um trabalho levado a sério há cerca de cinco anos. Já familiarizado com trabalhos de mecânica, Bruno foi provocado pelo irmão a transformar uma peça de caminhão antiga em uma faca. E conseguiu.

“Ele falou: ‘Bruno, toma aqui, faz uma faca, isso deve ter 100 anos e já esquentou várias vezes’”, conta ele. O pedido veio “do nada”, ele confessa, mas dali em diante surgiu um grande interesse na produção das peças, seguido por estudos e, claro, muita prática.

“Fui buscando mais informações, assistindo vídeos no YouTube com pessoas que já faziam, dicas daqui e dali, adquiri uma primeira maquininha, depois a segunda, a terceira, a quarta e a quinta e evoluindo. Foi uma brincadeira que virou coisa séria”, garante.

Tão séria que já virou negócio. Quando começou, o hobby dividia as atenções com o trabalho nos Bombeiros. Hoje, aposentado, na oficina montada dentro da própria casa, ele dedica quase que a maior parte do dia à nova atividade, que se tornou, também, uma forma de diminuir o estresse.

“Aquele desafio que o meu irmão fez acabou se transformando em uma válvula de escape. É algo que tem que ficar tão concentrado… é perigoso, tem que estar muito concentrado e a gente tem que desligar tudo de fora, o que é muito interessante, bem legal”, revelou.

No meio de toda a história, Bruno ainda esbarrou em uma coincidência até então desconhecida. Segundo a mãe, o avô dele era ferreiro e fabricava canivetes e outras ferramentas. “Não tinha como comprar facão, enxada, foice. Eles faziam tudo”.

O processo

Mas como é produzir uma faca? O cuteleiro explica que cada peça precisa de um material específico a começar pelo aço. “Nem todo aço é propício para a construção de uma faca. Dos aços que têm características para serem transformados em faca, de acordo com a funcionalidade que ela vai ter, a gente escolhe o tipo de aço que vai ser usado. Então depende da funcionalidade, do tamanho, do peso. Tudo em razão do que ela vai fazer. A faca é uma ferramenta, ela tem propósito.”

Daí em diante é seguir todo um trabalho para criar a peça, ele resume: “São duas formas: o forjamento, em que aqueço um pedaço do aço até ele chegar em determinada temperatura e começo a dar pancadas, esticando até transformá-lo em uma barra. Depois desenho o formato e, através de uma lixadeira ou lima, transformo na geometria que pensei”.

Detalhes

O trabalho de um cuteleiro não concorre com grandes marcas que produzem facas em escala industrial. Bruno explica que a exclusividade e até uma peça personalizada são as principais características de um trabalho artesanal. “Consigo fazer uma peça mais exclusiva, adaptada para a sua mão, o cabo com a ergonomia da sua mão. Já fiz uma faca para a minha filha, que tem mãos pequenas e, como ela é chef de cozinha, precisa de uma faca com um tamanho ideal.”

Para os cabos, ele diz que são usadas madeiras nobres, geralmente recicladas. “A sobra do material dessas empresas de demolição muitas vezes vira minha matéria-prima. Em vez de virão carvão se torna cabo de faca de excelente qualidade. Já consegui pegar jacarandá do cerrado, pedaço de jacarandá violeta, que é raríssimo, que iam virar carvão. Eu saio por aí procurando.”

Recentemente, Bruno adquiriu uma xiloteca de madeira, produzida por Cleber Saydelles, do canal Madeira Prima (@madeiraprima) que detalha todos os tipos do material que são comercializadas no Brasil.

Futuro afiado

Ainda mais dedicado à nova atividade, o cuteleiro agora se prepara para se tornar um “quase profissional”: “É impossível você saber tudo sobre qualquer coisa, estou sempre aprendendo. Cada faca me ensina para a próxima”. E revela que já investiu em praticamente todo o maquinário necessário para dar prosseguimento ao trabalho.

“Falta chegar um forno de temperatura controlada, pois hoje trabalho com uma forja simples, a gás. E com uma lixadeira de melhor qualidade já tenho condição de falar que sou quase um profissional”, finaliza.

Bruno Rigo

Contato: (27) 99848-8528

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