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Voluntariado: ganha quem faz e quem recebe

“Fazer o bem e sentir-se útil motiva voluntários de diversas áreas”

shutterstock_125937926 webEles doam o próprio tempo para trabalhos sem fins lucrativos. Fazem ações solidárias por amor e carinho. Quem são eles? São os voluntários, claro, homenageados no dia 28 de agosto, data em que se comemora o Dia Nacional do Voluntariado. Engana-se quem pensa que eles não ganham nada demais, afinal, quanto valem um sorriso sincero e um abraço de gratidão?

O voluntariado é uma via de mão dupla e faz bem a todos os envolvidos. Aos 72 anos, a coordenadora voluntária dos cursos do Centro Cultural do Radium Hotel, Sílvia Crespo, se diz privilegiada por contribuir para um mundo melhor e define o voluntariado como um trabalho de alegria e conhecimento mútuos. “Me sinto muito bem ao ver a alegria dos alunos, idosos em aula de dança. É um sentimento de bem estar total, até a saúde fica melhor”, garante.

A aposentada Eliud Vieira, professora de bordado, se orgulha do voluntariado e o resume em uma única palavra: amor. “É um trabalho em que você se doa, ou seja, faz por amor. E o que é feito por amor só tem a acrescentar na vida das pessoas. Enquanto eu tiver força, saúde e duas perninhas para andar estarei aqui”.

A voluntária administrativa no Centro Cultural, Terezinha Mafra, completa. “Você escolhe ser voluntário e, no fim, recebe tanto quanto quem é ajudado. Eu me aposentei, depois perdi o meu esposo e passei por um momento difícil. Aqui, encontrei pessoas amáveis que me ajudaram e sei que posso contar com elas. Não sei como seria a minha vida sem esse espaço”.

Ela também deixa o recado para quem já se aposentou: “Aos que estão nessa fase da vida, não fiquem parados, procurem ajudar, sintam-se úteis e felizes”. Para fazer o bem a uma comunidade e sentir-se útil não importa a idade, e não tem preço.

‘Me motivo ao dar a alguém a possibilidade de sorrir sem medo’

Existem diversas formas de ajudar alguém, até mesmo um consultório odontológico pode ser usado para o trabalho voluntário. Há 9 anos, a dentista Rianne Vilela coordena o projeto da Turma do Bem em Guarapari, com 28 profissionais associados. A dentista sempre teve o voluntariado presente em sua vida, e o incorporou à profissão para ajudar de uma forma mais fácil. Para ela, é uma maneira de dar oportunidade a alguém cuidando da saúde. “Gosto de passar adiante o amor e o carinho que sempre tive, as boas oportunidades. Faço isso através do cuidado com o sorriso. Me motivo ao dar a alguém a possibilidade de sorrir sem medo”.

A voluntária fala do trabalho com um constante sorriso no rosto. Ela enxerga o voluntariado também como uma questão de educação pública. “Só reclamar não adianta, devemos agir também. Muitos se acomodam, ficam inseguros, acham que não conseguem fazer a diferença. Se tirarmos os olhos de nós mesmos e ampliarmos a nossa visão, conseguiremos fazer algo pelo próximo. Às vezes não recebemos uma gratidão clara, mas o importante é que o bem seja feito”, comentou.

O voluntariado odontológico atende crianças e adolescentes de 11 a 17 anos, de baixa renda. A dentista afirma que o trabalho é prazeroso, mas destaca a importância de tratá-lo como uma empresa – organização, triagem de candidatos e ficha de seleção para atender, de fato, quem precisa do serviço.

Voluntariado não é profissão, é dedicação

Na Associação Crescer Com Viver, no bairro Adalberto Simão Nader, cerca de 200 pessoas entre crianças e adultos participam de cursos e recebem atendimento médico e jurídico. O foco é que eles também aprendam a ter disciplina, respeito ao próximo e um espírito voluntário.

De acordo com a presidente da associação, Otília Piumbini, a maior motivação é poder servir. “O voluntariado é assim, faz-se porque quer e porque gosta, e quanto mais se dedica, mais se quer fazer. É o gás da minha vida, me enche de paz interior”. Advogada aposentada, Otília tornou-se voluntária ainda adolescente, junto com os pais, em Belo Horizonte, e nunca mais parou.

E para quem pensa em ser voluntário, ela orienta: “A pessoa tem que ver o que gosta de fazer, encontrar o seu lado voluntário e agir. É possível ajudar até mesmo limpando uma sala, fazendo um café. Se tem vontade, vá. É preciso”.

Para o professor de judô na ONG há 5 anos, Daniel Antônio Bongestab, o voluntariado é a parte boa do seu dia. Ele avalia o trabalho pela mudança positiva no comportamento dos alunos e a grande troca de conhecimento. “É um alívio, me dá ânimo. Aprendo com a turma e prezo para que eles, mais para frente, colaborem com o projeto e ajudem outras pessoas”.

Ações em prol da solidariedade

Tudo começou com a chance de levar sorriso e alegria para as crianças do próprio bairro (Ipiranga), em 2013. Assim nascia o projeto Sorrir É Preciso, idealizado pela pedagoga Sthênia Raquel, 22 anos. O objetivo? Doar roupas, brinquedos e, principalmente, amor e carinho. Para Sthênia, as crianças são o futuro da nação e merecem um cuidado maior. Depois de realizar ações voluntárias no bairro Lameirão, a pedagoga só confirmou o que já pensava. “No Lameirão, vemos uma realidade fora do normal. Queremos fazer a diferença na vida dessas crianças, elas são o nosso futuro. Muitas vezes parece que o ser humano esqueceu o mandamento de amar o próximo”, lamentou.

Aos que permitem, o voluntariado leva a uma reflexão e lição diária do que temos feito como pessoas. A contabilista também envolvida com o projeto, NinaBertocchi, 21, passou a valorizar mais a vida após o trabalho voluntário. “Sempre aprendo ao conhecer mundos diferentes e tentar fazer algo para mudar. As crianças que ajudamos mais têm a nos ensinar do que nós a elas. Hoje, já não reclamo da vida e até acho que tenho muito. Mas só percebi isso quando lidei com quem tinha menos”.

Nina e Sthênia tornaram-se amigas após o voluntariado e compartilham da ideia de que a doação de amor é um ato nobre. Outros 15 voluntários divididos entre Guarapari, Anchieta, Iriri e Piúma vestem a camisa em prol da solidariedade. “Ser voluntário também é desafiar o mundo. Você não sabe se vai dar certo, mas pensa positivo e age. Ah, se as pessoas soubessem como é bom fazer o bem. O que a gente ganha compensa tudo”, finalizou Sthênia. A 3ª edição da ação voluntária será no Dia das Crianças (12/10), na Escola Municipal Ormy Loureiro de Almeida, Lameirão.

O advogado Felipe Loureiro cresceu vendo o pai financiar campanhas para ajudar o próximo. Hoje, ele se preocupa em contribuir voluntariamente doando cestas básicas, roupas, colchões ou brinquedos. Contudo, a campanha que o marcou aconteceu no Dia das Crianças de 2014, quando uma pessoa pediu ajuda. O advogado conseguiu distribuir brinquedos para cerca de 300 crianças, no Lameirão. Mais marcante que a campanha, segundo ele, foi receber a gratidão dos pais e da criançada. “É um trabalho que eu gosto e pretendo fazer sempre que possível. Você se sente agraciado por Deus”.

Loureiro ressalta a importância de uma campanha solidária, mas lembra que é preciso tempo, organização e mãos que queiram ajudar, para que tudo dê certo. “Não é fácil montar uma campanha, são muitos detalhes e surgem dificuldades. Porém, se a vontade de contribuir tocar no coração, deixe Deus assumir o controle, corra atrás e ajude”.

Dona Nilcy Rosetti Conde, 83, também aprendeu em casa o valor do voluntariado. Atual presidente da Associação Beneficente Mão Amiga, no Centro de Guarapari, ela não mede esforços para se dedicar ao trabalho voluntário. “Meus pais me ensinaram que mais agradável é dar do que receber,contribuir para o bem dos necessitados”. Dona Nilcy cita que um voluntário de verdade se doa de coração e procura visitar quem precisa, sentir a real necessidade e ajudar com doações e gestos de carinho. “Um simples abraço vale muito para quem está em dificuldade. As pessoas não estão carentes só de coisas materiais, mas de amor também”.

O objetivo da associação é ajudar os necessitados com visitas, doação de cestas básicas, cadeira de rodas, material escolar, auxílio para marcação de exames e consultas médicas. Voluntariamente, cerca de 40 senhoras se reúnem para bordar. O valor arrecadado com a venda dos artesanatos é revertido para as ações do projeto.

Diante de tantas histórias sobre o voluntariado, fica difícil não ter o coração tocado pelas ações de bondade. Se só de conhecer, já é possível se sentir bem, imagina na prática. Exerça a solidariedade, seja um voluntário! Descubra o quão útil você pode ser para alguém e fazer a diferença por um mundo melhor.

Por Jocimara Brito

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