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Viva bem o intervalo!

Há uma frase bem conhecida que diz assim: “Nascemos sem pedir e morremos sem querer. Portanto, aproveite o intervalo”.

Exercício OsteoporoseA

Pois é… Esse intervalo está ficando cada vez mais longo. A possibilidade de viver muito é cada vez maior, e, principalmente, a possibilidade de viver uma longa velhice, só vem se ampliando.  Viver muito é considerada uma das maiores conquistas sociais dos últimos tempos. O envelhecimento da população é um fenômeno mundial e tem estrita relação com o desenvolvimento social, especialmente, com o nível de conhecimento das pessoas e com os avanços da educação e da tecnologia, que nos permitem viver melhor e entrar na chamada terceira idade com mais qualidade de saúde e bem-estar.

É fato, temos hoje grande chance de vivermos uma longa velhice. Em cada contagem do censo aumenta mais o número de pessoas que passam dos 100 anos. Na Pnad/IBGE de 2012 eram 32.134 brasileiros centenários.

Mas, como em tudo, existe o antes e o depois. Antes de entrar na velhice (ou seja, antes dos 60 anos), como foi a construção da vida, qual foi o capital construído? E depois dos 60, quais são os planos, qual a reserva deste capital?

É preciso refletir sobre isto. No caso da maior longevidade, tem grande valor de futuro a qualidade do viver na infância, na juventude e na maturidade. Entram como créditos do capital de saúde todos os hábitos saudáveis que desenvolvemos ao longo da vida, como: alimentar-se bem, praticar esportes ou atividades físicas regularmente, dormir bem, cuidar da saúde preventivamente, desenvolver a mente, desenvolver a espiritualidade, construir uma boa estrutura familiar e de amizades, entre outros, para usufruir de uma velhice mais confortável.

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Contabilizam como débitos, que vão refletir mal no futuro, aqueles hábitos deletérios adquiridos e mantidos por longo tempo, como vícios (fumo, álcool, drogas ilícitas), ser sedentário, alimentar-se inadequadamente, não cuidar bem de doenças que por ventura surjam pelo caminho, não realizar periodicamente exames preventivos, não agir positivamente em relação ao desenvolvimento pessoal no que diz respeito aos laços sociais, familiares e econômicos, etc.

A ciência tem demonstrado que aquelas pessoas que cultivam bons hábitos de vida, não só vivem mais, como também vivem melhor. Viver melhor na velhice significa, principalmente, ter a autonomia e a independência preservadas. Como é isso? É que na velhice faz uma diferença enorme a pessoa conservar sua capacidade de decisão, de escolhas, com boa função mental e também a sua capacidade física de ir e vir, cuidar de sua própria casa, alimentação e sua higiene, entre outras coisas que determinam a independência da pessoa.

Para amenizar os riscos de perda dessas capacidades é importante, além dos cuidados com a saúde, procurar conservar bom condicionamento físico praticando atividade física, manter-se ativo e participante da comunidade nas atividades sociais, culturais, espirituais e ficar bem relacionado com familiares e amigos. Integrar-se em atividades com outras pessoas promovem estímulos criativos e positivos e proporcionam trocas de ideias, que além de serem importantes para a saúde da mente favorecem o estado psíquico de bem-estar. Por isso, atividades que estimulam a mente (como iniciar novos aprendizados, realizar trabalhos sociais voluntários, fazer atividades recreativas) são tão importantes quanto atividade física, porque além de estimularem os neurônios, melhoram a auto-estima, afastam a solidão e previnem a depressão.

É assim que as cidades podem ser mais amigas das pessoas idosas: Disponibilizando espaços e serviços para elas realizarem atividades físicas e mentais, que criem oportunidades para que as pessoas aposentadas desenvolvam ações produtivas ou educativas, atrativas e úteis, afastando o isolamento social, lhes preservando a saúde, oferecendo recursos para enfim conservarem as tão necessárias capacidades de autonomia e de independência.

Dra Regina Mesquita (foto Alex Gouvea) - 05

Por 

     Regina A. Viana Mesquita

                                                                                                     Médica Geriatra

                                                                                               CRM ES 2378 RQE 5764

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