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Uma história de amor às crianças

DSC02858Já são 12 anos de dedicação, persistência e fé que mudaram a vida de muitas famílias no bairro Lameirão. Mércia Ribeiro Cardoso realiza um milagre a cada dia ao lado de um grupo de voluntários, transformando as tardes de mais de 50 crianças em oportunidades de um futuro melhor. Isso porque elas contam com um lugar abençoado para ficar enquanto os pais trabalham.

E não podia ter um nome mais apropriado: Associação Ebenézer de Assistência Social. A “pedra da ajuda” que a cada dia constrói cidadãos mais conscientes, edifica a valorização da família e ergue a palavra de Deus. Não faltam obstáculos no caminho, mas o amor às crianças é maior que qualquer desafio.

Revista Sou – Como surgiu a ideia de fundar o projeto Ebenézer?

Mércia Ribeiro Cardoso – Eu nasci em Recife e vim para Guarapari acompanhar o meu marido Pastor Claudine Cardoso da Assembleia de Deus de Meaípe em 2002. Foi quando conheci as congregações da igreja e fui descobrindo a história do nosso bairro. Aqui era um lixão a céu aberto com mais de 40 famílias assentadas que sobreviviam da reciclagem. Em 2003, a Prefeitura e Ministério Público acabaram com o lixão e essas famílias se viram sem nada. É triste, mas o lixo era a única coisa que eles tinham. Vendo a carência dessas famílias, a igreja passou a fazer o sopão aos sábados, com bazar de roupas, banho, corte de cabelo e doação de cestas básicas. Mas nós descobrimos que muitas famílias trocavam a cesta básica por drogas e as crianças continuavam sem assistência. Foi quando fundamos o projeto em 1º de agosto de 2003.

Qual foi o maior desafio ao longo desses anos?

Eu digo que a gente vive um milagre a cada dia, porque não temos doações fixas e dependemos integralmente da solidariedade das pessoas. A igreja arca com as despesas mensais de água e luz, cerca de R$ 300. O local também foi doado pela igreja, logo não temos despesas com aluguel. Os uniformes também foram doados. O nosso maior gasto é o supermercado, porque servimos almoço e lanche de segunda a sexta-feira. Para termos o ideal, seria um custo mensal de aproximadamente R$ 1.500. Mas como não temos uma receita fixa, a gente não joga nada fora, faz mexidão, as sobras viram torta, aqui tudo se aproveita e vai comprando de acordo com as necessidades e com o nosso orçamento. Manter o almoço e o lanche tem sido a maior dificuldade e não queremos abrir mão, porque as crianças ficam conosco de meio dia às 16h, e para muitas, essa é a última refeição do dia.

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Quais são as atividades oferecidas?

Para as crianças de 3 a 5 anos, temos a alfabetização e a atividades para desenvolver habilidades como a coordenação motora. Já os maiores, de 6 a 11 anos, que já estão na escola regular, focamos no reforço escolar. Também trabalhamos a parte emocional através de histórias bíblicas. E sempre incentivamos os hábitos de higiene, ensinando a escovar os dentes, falando da importância de tomar banho, orientando a lavar as mãos antes das refeições. Aos sábados, nós oferecemos a escolinha de futebol para a faixa etária de 9 a 17 anos. São 30 alunos que ficam conosco das 8h ao meio dia. Também fornecemos o café da manhã. Isso tudo só é possível com a ajuda dos colaboradores. Hoje, contamos com 10 voluntários fixos. Além de outros que ajudam esporadicamente. Toda ajuda é bem-vinda, quem quiser conhecer o nosso trabalho e quiser participar estamos de portas abertas.

A Associação conta com algum apoio do órgão público?

Atualmente, não. Já pedi várias vezes, mas nunca tive um retorno positivo. Só em 2005 e 2006, que nós cedíamos o nosso espaço para que um médico e dentista da prefeitura fizessem os atendimentos aqui. Era uma importante ajuda tendo em vista que o nosso bairro até hoje não conta com posto de saúde. Os moradores precisam ir até a unidade de saúde de Kubistchek. São mais de 700 famílias cadastradas no bairro, o certo seria ter um posto aqui. Mas como não tem, colocamos o nosso espaço à disposição para os profissionais da saúde que quiserem ajudar de forma voluntária.

DSC02849Qual foi o seu maior aprendizado?

Comprovar que é possível resgatar vidas, tirando as nossas crianças e adolescentes das ruas, cortando essa relação e propensão ao tráfico de drogas, mostrando que tem alternativa ao mundo do crime, incentivando que estudem, trabalhem e cresçam profissionalmente e pessoalmente. Ver que eles estão em um local seguro, onde tem amor e que estão aprendendo faz valer cada esforço e nos motiva a continuar na luta. A maior satisfação é ver crianças que nós acolhemos aqui se tornando adultos responsáveis e voltando para ajudar como voluntários. É a realização de um sonho, é a nossa missão: ajudar ao próximo.

 

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Endereço: Rua Projetada, s/nº, Lameirão (Próximo à Assembleia de Deus)

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