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Eles querem equidade

Movimento Negro de Guarapari pede por políticas públicas e valorização racial

Movimento NegroO movimento negro em todo o país se encarregou de denunciar sistemicamente o racismo e de quebrar a resistência que sempre houve em reconhecer o tratamento diferenciado que os negros recebem aqui, especialmente na forma como sua história é contada. Atualmente em Guarapari, temos um percentual de negros que trabalham de carteira assinada que não chega a 9%, embora os negros representem 51% da população do município, segundo dados do IBGE.

No entanto, vivemos uma fase que demonstra que o movimento negro e a sua conscientização está sendo capaz de transformar o racismo de um embate cultural para o social. Essa é a motivação dos representantes do Movimento Negro de Guarapari. É que o Tiago da Silva Mello, mais a Ângela Rocha, o Professor Adriano Albertino e um monte de gente boa e disposta a trabalhar a equidade, encabeçam um movimento que têm dado resultados. Mas o que é equidade?

Segundo o professor e diretor do Sindiupes e militante do movimento negro, Adriano Albertino a equidade supera a busca pela igualdade. “Sou descendente de uma comunidade quilombola, em Alto Iguape, e acredito que mais que a igualdade buscamos a inclusão das pessoas de todas as cores, credos, ou seja, é importante antes de tudo, perceber o ponto de partida das pessoas. Infelizmente a cor da pele ainda é um fator que diminui as oportunidades de uma parcela da sociedade”, disse.

O trabalho, que começou em meados de 2013, teve seu ápice em 2015, na semana da consciência negra. Uma parceria com uma faculdade local reuniu escola de samba, concurso da beleza negra, cuidados com a saúde, e todos os elementos que compõem e demonstram que o negro deve ser valorizado todos os dias. E a motivação para fazer tudo isso é o de abrir os olhos da sociedade.

Movimento Negro (3)Muita gente acha que o preconceito não existe, mas ele está ali, bem debaixo dos nossosolhos. Foi o que aconteceu com Ângela Maria da Rocha. “Qualquer pessoa negra enfrenta dificuldades em sua trajetória. A diferença é como cada um de nós lida com elas. Ouvir de uma mulher branca que lugar de negro e pobre é no meio da rua não foi fácil”, lembrou Ângela.

E o preconceito vai mais além. Segundo Tiago Mello, o fato do próprio poder público não apoiar o movimento é uma forma de fechar os olhos para a desigualdade racial. “Atualmente lutamos para que se faça valer no município a lei nacional de nº 10.639/03, que trata sobre a inclusão do ensino de História e Cultura Africana e Afro-Brasileira e que infelizmente não têm o seu merecido valor nas escolas. Quer maior preconceito que esse?”, completou.

Resgatar a cultura e a nossa história é fazer entender que todos nós somos e pertencemos a essa sociedade eclética de cores e raças. Para a coordenadora do curso de Pedagogia da Faculdade Pitágoras de Guarapari, Sandra Raimundo, que apoia o projeto do MNG, a diversidade está presente em todos os indivíduos. “Independente da cor da nossa pele, todos nós possuímos diferentes traços étnicos no nosso código genético. Não podemos nos considerar pertencentes apenas a uma raça, a riqueza do nosso país reside exatamente na mistura de povos e culturas”.

 

 

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