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Ela vendeu a clínica de estética para se dedicar à Creche Alegria

por Lívia Rangel

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Ela vendeu a clínica de estética para se dedicar exclusivamente às crianças da Creche Alegria. No início, atuou como voluntária. Participou de todo o processo, desde o primeiro tijolo erguido. Hoje, é vice-presidente e diretora da instituição filantrópica que atende 120 crianças carentes de 3 a 6 anos em tempo integral no bairro Santa Mônica.

Lourdes Novaes é o nome dessa guerreira do bem que viaja todo dia 40 km, cerca de uma hora de ônibus, para trabalhar. Isso porque ela mora em Vila Velha. Mas confessa que isso não é empecilho, pois o seu coração pertence à creche e a satisfação de ver o resultado com as crianças é o que dá força para continuar e enfrentar as dificuldades.

Revista Sou – Como surgiu a ideia de montar uma creche em Santa Mônica?

Lourdes Novaes – Foi através de um amigo, um empresário de São Paulo, Marcelo Honorato. Uma pessoa muito especial. Ele frequenta a Casa de Oração São Francisco de Assis. Um dia ajudou uma moradora do bairro, doando uma casa para ela. Depois, demonstrou interesse em fazer mais pela comunidade e chegamos à conclusão de que uma creche em tempo integral seria o ideal: ajudaríamos às famílias carentes ao oferecer um espaço seguro para as crianças e dando oportunidade para os pais trabalharem. Ele é muito participativo, vem todo mês. Aprendemos muito com ele, principalmente sobre amar e ajudar o nosso próximo.

Revista Sou – E como você entrou na história?

Eu tenho 12 anos de Casa de Oração. Participei da primeira conversa quando decidimos como seria a obra, onde, o objetivo. E desde então abracei a causa. Eu participei de tudo, acompanhei a obra de perto, tijolo sobre tijolo. A obra começou em 2009 e inauguramos em 2010. Eu era voluntária aqui e tinha a minha clínica de estética em Vila Velha. Pensei que ficando meio período aqui e meio período lá, daria certo. Mas lidar com crianças é uma responsabilidade muito grande, requer dedicação exclusiva e optei pela Creche Alegria. Eu sou apaixonada pela minha profissão, mas amo muito o que faço hoje e sou mais feliz.

Revista Sou – Mas você já havia pensado em trabalhar em outra área?

Na verdade nunca. Eu trabalhei 28 anos com estética. Mas o trabalho na creche me encantou, eu sou apaixonada pelas crianças. Vendi a clínica e estou aqui. Sou diretora com carteira assinada, tudo certinho, como todos os que trabalham aqui. Tem ações que fazemos que não tem preço, só quem faz por amor entende. Aprendo muito a cada dia. Poder ajudar as crianças me faz muito bem, porque sabemos que a realidade da maioria é de dificuldade. Muitas não têm em casa, a alimentação como oferecemos aqui, além da disciplina, atenção, carinho, higiene e ver a melhora desses pequenos é uma satisfação enorme.

Revista Sou – Diante de tantas histórias de superação, alguma em especial?

Várias, mas uma em especial me marcou muito. Um menino, que hoje tem 5 anos, quando entrou aqui era muito rebelde, batia nas professoras, chutava, cuspia. Não obedecia ninguém, não sabia o que era limites. É aquela velha história, amar o bonito é fácil, e o feio a gente rejeita. Mas não desistimos dele, fizemos um trabalho em conjunto com psicóloga, professoras, a mãe dele, que cria ele sozinho, e hoje se tornou uma criança maravilhosa. Ver e participar dessas transformações são o que realmente nos fazem felizes e apesar das dificuldades, nunca vamos desistir.

Revista Sou – E são quantos profissionais para dar conta de 120 crianças das 7h às 17h?

Hoje contamos com 29 funcionários remunerados, além de alguns voluntários, como dois dentistas (duas vezes por semana), uma nutricionista (uma vez por mês), uma psicóloga (uma vez por semana). Também temos aulinha de judô para os meninos e de balé para as meninas. São quatro refeições por dia e toda uma estrutura adequada e de qualidade: 6 salas de aula, 2 salas de sono, 6 banheiros, refeitório, cozinha, sala de professores, secretaria, playground, sala de judô, sala de balé, sala de teatro/leitura e sala de reuniões além do consultório odontológico.

Revista Sou – Como vocês mantém toda essa despesa?

Temos um convênio com a prefeitura, que arca com 1/3 da despesa total. Com isso, além das nossas 80 crianças, atendemos mais 40 da prefeitura. Mas o plano pedagógico é todo nosso, próprio. O restante é tudo mediante doações de terceiros. Os gastos são altos, são 14 kg de carne por dia, 2 caixas de leite por dia, a compra de supermercado por mês gira em torno de R$ 9 mil. Então toda ajuda é bem-vinda e quem quiser pode contribuir com recursos, com material didático e de limpeza, com alimentos ou adotando uma criança. O custo mensal de cada uma é de R$ 500. Temos toda documentação e agora vamos receber mais o título de Utilidade Pública Estadual.

Revista Sou – Há pretensão de ampliar os serviços oferecidos?

Vontade, temos. Estrutura também. Além de uma fila de espera com 60 crianças. Mas infelizmente não temos como arcar com a manutenção. O legal daqui é que as benfeitorias ultrapassam os muros da creche, estamos sempre ajudando a comunidade, abraçando as famílias. Por exemplo, há um mês estamos com escolinha de futebol que também é aberto para as crianças do bairro. Além dos cursos profissionalizantes para jovens e adultos em parcerias firmadas com instituições e até por meio de trabalho voluntário. Já tivemos de administração, porteiro, telemarketing, pintura em tecido e qualidade no atendimento.

Para ajudar!

Av. Brasil Colônia, s/n, Santa Mônica

3262-2590 / 99907-6092

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