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COMO FALAR COM SEUS FILHOS SOBRE TABUS

ChamadaRevista_TabusDe repente, aquela criança meiga, com os olhos brilhantes de curiosidade, vem até você e faz aquela pergunta que deixa qualquer um sem chão: “como é que eu nasci?” ou “o que é camisinha?”. Quem tem ou já teve filhos pequenos sabe bem como é isso, mas talvez não se saiu da melhor maneira. Afinal, cada faixa etária exige um tipo de linguagem e aprofundamento diferente e nem sempre estamos preparados para escolher as palavras certas para conversar sobre sexo, morte, divórcio ou até mesmo fé.

Para ajudar os pais de primeira viagem a como lidar com esses assuntos tabu, a Revista Sou conversou com a psicóloga especialista em desenvolvimento infantil, Lígia Barcellos. Segundo ela, conduzir essas conversas de forma natural e esclarecedora é a melhor maneira de ajudar na construção do conhecimento deles, que precisam estar seguros de que podem contar com os pais para sanar quaisquer dúvidas.

“A criança menor precisa de explicações mais concretas, porque ainda não tem experiência suficiente, não é capaz de abstrair ideias vagas. Com o pré-adolescente e o adolescente a conversa pode ganhar novos contornos e pormenores. Mas a forma de responder vai depender também da idade da criança e se o responsável tem uma boa relação com o assunto”.

Se os pais não souberem responder no momento ou não estiverem preparados para falar, mais uma vez, o que vale é a honestidade. “Diga que vai pesquisar melhor e que volta no assunto quando estiver mais preparado. E não esqueça de retomar o assunto, pois se a criança veio lhe perguntar sobre algo é porque ela confia em você. Até porque hoje existe a internet, que muitas vezes acaba entrando no lugar de uma boa conversa”.

Consequências. Lígia também chama a atenção para algumas consequências se e algum assunto for “mal explicado”. “Por exemplo, se eu tentar disfarçar e disser para a criança que a pessoa virou uma estrelinha no céu ao invés de falar que a pessoa morreu e que ela não está mais aqui, eu posso dificultar a compreensão da criança sobre a morte, a digestão desse falecimento. A criança não pode ser proibida de sentir tristeza, raiva… Todos esses sentimentos e outros também podem fazer parte do processo para depois essa perda se transformar numa saudade gostosa de sentir. Não tente tirar a criança dessa experiência”.

Ela também ressalta que os pais não devem se preparar somente para explicar aos filhos sobre esses assuntos delicados. Porque a dificuldade de explicar vai depender de cada um e dos nossos preconceitos. “E lembre-se sempre que é uma criança perguntando. Logo, o nosso olhar de adulto pode estar um pouco carregado pelas nossas vivências e experiências de vida”, aconselha.

COMO FALAR COM SEU FILHO SOBRE:

Sexualidade

A criança a partir dos 4 anos começa a descobrir o próprio corpo. Então pode ser importante mostrar a essa criança que descobrir seu corpo é uma sensação gostosa, é natural, mas é íntimo e é um momento dela, particular. Já por volta dos 8 ou 9 anos é que podem começar os questionamentos sobre sexo e “de onde viemos”. Preste atenção para saber se seu olhar está muito carregado. Tente se imaginar a partir da sua própria criança para conversar com seu filho. E lembre que a criança que pergunta está num processo de aprendizado esperado e que veio pedir ajuda.

Morte

Até os 7 anos, a criança não compreende muito sobre o que é morte. Mas é importante deixar claro que a pessoa morreu e que ela não está mais aqui. Evitar inventar que ela viajou, que virou estrela ou algo que tente mascarar. Lembrar que os seres vivos nascem, crescem, se desenvolvem e morrem, assim como as plantas e os animais, são os humanos também. E que isso faz parte da vida. Isso facilita a criança ter uma compreensão da vida, como ela funciona. Os orientais parecem ter mais facilidade de lidar com esses assuntos do que os ocidentais. A criança pode passar por momentos de raiva, de negação, de tristeza e de aceitação. Cada uma com seu tempo, lidando da sua maneira. É permitido sentir.

Homossexualidade

Esse tema se encaixa no tema da sexualidade. Talvez não tenha que explicar por que algumas pessoas são homossexuais ou heterossexuais ou bissexuais, etc. Mas sim mostrar que existe. E trabalhar com nossos preconceitos, pois se a pessoa percebe esse assunto como um tabu, talvez seja o adulto que tenha que trabalhar essa questão.

Divórcio

Não é fácil para os filhos quando os pais se divorciam. Mas o importante é que o casal esteja junto no momento que der a notícia para a criança e que o casal está se separando porque não se amam mais. E que eles não deixarão de ser pai e mãe. Duas sugestões de livros muito bons sobre o assunto são “Duas casas e uma mochila”, da autora Sonia Mendes, Editora Mar de Ideias e “Quando os pais se separam”, da autora Marge Heegaard, Editora Artmed.

De onde vêm os bebês

Também está ligado ao tema sexualidade. Um livro muito esclarecedor que pode ser lido com as crianças menores é o “De onde viemos?”, de Peter Mayle e Arthur Robins, Editora Zastras.

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